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Arquitetura inclusiva: projetando para todos

6 minutos para ler

Criar um espaço acessível para todos é essencial para uma vida segura e sustentável, mas, quando se trata de acessibilidade, muitos fatores precisam de atenção. Isso porque a acessibilidade deve atender aos requisitos de cada indivíduo – seja jovem, idoso ou com deficiência física – para que todos possam realizar suas atividades cotidianas sem precisar de qualquer tipo de assistência.

A arquitetura é essencial para este objetivo. Desde a disposição e distribuição dos ambientes até a seleção de cores, a arquitetura inclusiva deve considerar diversos fatores para criar um espaço realmente acessível para todos.

Quais os benefícios da arquitetura inclusiva?

Quando pensamos em arquitetura de uma forma geral, pensamos na criação de projetos criados especificamente para as necessidades e desejos dos usuários, correto?

A arquitetura inclusiva busca, por sua vez, elaborar projetos arquitetônicos que atendam às necessidades e limitações dos usuários. Ela leva em consideração que cada indivíduo é único e possui características únicas. Portanto, os espaços e estruturas projetados devem poder ser utilizados por todas as pessoas, independentemente de suas idades, gêneros e características físicas.

Mas, além de facilitar a mobilidade dos indivíduos, a arquitetura inclusiva fornece outros benefícios à sociedade, como:

  • Conscientização e empatia;
  • Design limpo e agradável;
  • Conforto e segurança dos usuários;
  • Mais acesso e utilização dos ambientes;
  • Independência física e emocional;
  • Mais qualidade de vida.

Criando ambientes sem barreiras com o design universal

Estação de transporte público inclusiva

Enquanto um corredor estreito, um interruptor mal posicionado ou irregularidades em um piso podem passar despercebidos pela maioria das pessoas, eles podem ser grandes barreiras para indivíduos com deficiência física ou com habilidades motoras temporariamente reduzidas.

O acesso a um ambiente sem barreiras, aliás, é fundamental para o aumento da participação, mobilidade e engajamento das pessoas com deficiência. A criação desses espaços ou estruturas sem obstáculos pode ser alcançada seguindo os princípios do design universal.

Embora não seja exclusivo da arquitetura, o design universal tem sido utilizado como um processo arquitetônico para garantir que o ambiente construído seja acessível para todos. Seus princípios buscam beneficiar todos os usuários e acomodar uma variedade de habilidades, sendo eles:

1.   Uso equitativo:

O design deve ser útil, seguro, atraente e comercializável para pessoas com diferentes habilidades, evitando segregação.

2.   Flexibilidade de uso:

O design deve permitir a escolha no método de uso, acomodando uma gama de habilidades para ser adaptável a qualquer usuário.

3.   Uso intuitivo:

O design deve se manter simples para fácil compreensão, eliminando as complexidades de uso para corresponder às expectativas e intuição do usuário.

4.   Informação perceptível

O design deve comunicar de forma efetiva toda a informação para o usuário, utilizando vários modos (visual, tátil e verbal) para maximizar o entendimento da informação.

5.   Tolerância ao erro

É preciso minimizar os riscos e possíveis consequências de ações acidentais ou não intencionais, além de advertir o usuário dessa possibilidade.

6.   Baixo esforço físico

O design deve ser utilizado de forma eficiente e confortável, eliminando ações repetitivas e grande esforço físico.

7.   Tamanho e espaço para acesso e uso

O design deve permitir tamanho e espaço apropriados para aproximação, alcance, manipulação e uso, independentemente do tamanho, da postura e da mobilidade dos usuários.

Quais os desafios para uma arquitetura mais inclusiva?

Piso tátil direcional faz parte da arquitetura inclusiva

Além do desafio cultural, de conscientizar a sociedade que os espaços devem ser projetados para todos, há também um grande desafio em entender que a acessibilidade nem sempre é inclusiva.

Rampas de acesso, por exemplo, permitem que pessoas cadeirantes ou com carrinho de bebê possam utilizar um determinado local, mas ao custo de força-las a usar um caminho separado.

A arquitetura inclusiva deve buscar soluções de como poderíamos permitir o acesso de todos, da mesma maneira. Assim, uma boa solução para este caso seria disponibilizar uma entrada sem degraus com portas de correr automáticas. Além de resolver facilmente o problema, essa solução evita a segregação de uma forma que nem percebemos que se trata de algo “acessível”.

Como os espaços geralmente são projetados para necessidades específicas, e não para ampla acessibilidade, eles eventualmente precisam ser adaptados e modificados quando um novo recurso é visto como necessário.

O grande desafio da arquitetura inclusiva é, portanto, tornar o projeto inclusivo desde o início, combinando perfeitamente acessibilidade e design.

Como a tecnologia pode ajudar?

Os avanços tecnológicos, combinados com o desejo de tornar os ambientes mais acessíveis, são o caminho para uma arquitetura mais inclusiva.

À medida que avançamos para a construção de ambientes e estruturas mais acessíveis, podemos começar a fazer uso da automação e ferramentas digitais que facilitem e mostrem oportunidades para a mobilidade e a independência das pessoas com deficiência física.

Rafael de Magalhães Almeida
Rafael de Magalhães Almeida é Arquiteto e Urbanista formado pela Unicamp. Especialista em BIM, atuou em diversos projetos no Brasil e no exterior.

Rafael Almeida, Gerente de Arquitetura da InstaCasa, afirma que, embora um projeto acessível não dependa exclusivamente do método usado (CAD ou BIM), a tecnologia BIM auxilia bastante em alguns aspectos.

 “O BIM permite estabelecermos alguns parâmetros e critérios no projeto, uma vez que o computador entende que aquilo é uma construção. Por exemplo, podemos criar alertas ou regras que impedem que um corredor tenha menos de 1,20m em determinada circunstância, ou que um banheiro tenha menos que 1,50m livres de interferências no seu interior.

Em BIM, ao inserir uma barra de acessibilidade, ela já é colocada na altura determinada por norma. No CAD, todas essas coisas são apenas linhas, enquanto que no BIM temos a simulação do espaço.

Nesse sentido, BIM ajuda a visualizar o resultado, estabelecer regras e, por consequência, reduzir erros nesses projetos”.

Outros tipos de soluções tecnológicas também se mostram benéficas.

Plataformas como a Wheelmap, por exemplo, têm sido pensadas para ajudar na locomoção de pessoas com deficiência. Essa plataforma, particularmente, foi criada para que pessoas cadeirantes possam identificar e adicionar espaços públicos que são acessíveis, facilitando suas rotas.

A arquitetura inclusiva permite que todos possam usufruir dos espaços públicos.

Uma casa inteligente também é uma grande aliada da arquitetura inclusiva. Através de dispositivos conectados por rede que podem ser controlados por aplicativo ou voz, é possível automatizar algumas atividades do cotidiano, causando um real impacto na vida de pessoas com dificuldades motoras.

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