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#PapoDeEspecialista: Êxodo urbano aumenta procura por loteamentos no interior do estado

A vida nos grandes centros urbanos fez (e ainda faz) parte do sonho de muita gente. Principalmente de jovens que, em busca de oportunidades profissionais melhores, saem de seus Estados, suas cidades e, às vezes, até mesmo de seus países, para encarar uma aventura no que chamamos de “cidade grande”. É o caso de São Paulo, por exemplo, que possui uma população extremamente miscigenada, com pessoas vindas de todos os cantos do Brasil e do mundo. Entretanto, desde o ano passado, com a pandemia da COVID-19 no território nacional, esse quadro tem se mostrado diferente e observa-se um movimento denominado por muitos como êxodo urbano.

Gustavo Garrido
Gustavo Garrido é Arquiteto e Urbanista pela FAUUSP desde 2003, pós graduação pela FUPAM (Fundação para Pesquisa Ambiental) em Desenvolvimento Imobiliário em 2008. Ainda na universidade, desenvolveu pesquisa na área de Paisagem e Ambiente bolsista pela FAPESP e CNPQ junto ao grupo de pesquisa QUAPA (Quadro do Paisagismo no Brasil), onde foi autor de 3 publicações: Paisagismo Contemporâneo, Paisagismo Contemporâneo no Brasil e História do Paisagismo no Brasil. Integrou a diretoria da (ABAP) Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas de 2018 a 2020 como diretor administrativo e integra o quadro docente da Faculdade Belas Artes de São Paulo e atualmente diretor da ARCHSCAPE.

Para entender melhor esse movimento, convidamos, para um #PapoDeEspecialista, o Arquiteto e Urbanista Gustavo Garrido, Diretor da ARCHSCAPE, e demos a palavra, ainda, ao CEO da InstaCasa, Mauricio F. Carrer, para um debate sobre o assunto. 

O que provocou o movimento do êxodo urbano?

Desde o início da pandemia, no ano passado, diversas empresas passaram a adotar o regime home office de trabalho. Isso significa que ue qualquer funcionário, desde que esteja conectado à internet, pode trabalhar em qualquer lugar em que estiver alocado, independente da região. Esse modelo de trabalho ganhou força e deve se tornar cada vez mais comum no Brasil, uma vez que pesquisas apontam que, apesar da vacinação, muitas empresas pretendem manter o modelo permanente. 

De acordo com Garrido, esse fato contribuiu (e muito) para o movimento do êxodo urbano. “O que a pandemia fez foi gerar uma ampla aceitação do trabalho remoto pelas empresas, um fator determinante para que as famílias enxergassem como real a possibilidade de morar em outras cidades e ainda assim continuarem em seus atuais empregos, sem precisar perder horas no trânsito para se deslocar diariamente para o trabalho”, explicou o arquiteto.

Imagem de grande cidade.

Em 2020, a InstaCasa registrou crescimento de 250% no segundo semestre em comparação ao mesmo período de 2019. No setor imobiliário, no qual a startup atua, a digitalização dos processos permitiu que as empresas otimizassem suas operações  e transformassem o modelo tradicional de vendas. Alguns dados internos da empresa comprovam isso:

  • Ribeirão Preto/SP: em parceria com a InstaCasa, a Perplan vendeu todos os lotes do empreendimento Villas do Mirante em apenas um dia;
  • Guarapuava/PR: a BairrU Urbanismo, parceira da startup, comercializou 531 lotes do BairrU das Cerejeiras nos primeiros cinco dias de lançamento;
  • Atibaia/SP: também parceiro da InstaCasa, o Portal Lamis vendeu 50% dos lotes nos primeiros 14 dias de vendas;
  • Lorena/SP: exemplo mais recente de sucesso de vendas, a ZS Urbanismo, no último dia 21 de maio, comercializou todos os lotes do empreendimento Portal dos Pássaros em apenas um dia. 
Imagem de pequenas casas

A pandemia reforçou as pessoas a importância de priorizar a qualidade de vida quando o assunto é moradia?

De acordo com Carrer, “a pandemia nos mostrou que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com as estruturas de imóveis mais aconchegantes e levando mais em consideração a qualidade de vida. Com o atual cenário em que vivemos, ter uma casa que nos ofereça espaço com mais contato ao ar livre sem sair de nossa zona de conforto e proteção virou desejo para muitas pessoas”.

Nas grandes cidades, como explicamos no início, a correria do dia a dia toma conta da vida da maioria das pessoas. Pouco tempo com a família, muito tempo no trânsito, mínimo contato com a natureza, espaços de convivência sempre lotados e, quando pensamos em moradia, ambientes pequenos e expressivamente mais caros – a depender da localização, em São Paulo, por exemplo, o valor do aluguel de um studio de 30m² chega a R$ 5.000,00. Essa situação costumava fazer parte da vida de muitas pessoas que estavam nas grandes cidades, e também está mudando por conta da pandemia. Esse movimento leva muita gente a reavaliar a vida em um grande centro urbano e trocá-la pelo bem-estar do interior ou da região metropolitana.

“Morar em um apartamento pequeno não era escolha em grande parte dos casos, era o que cabia no bolso. A localização versus o poder aquisitivo sempre foram fatores determinantes para escolha de onde morar. Os bairros com melhor estrutura de serviços e lazer, com mais ofertas de empregos qualificados são obviamente os mais cobiçados e que consequentemente são mais caros. Um lote no interior é muito mais barato do que um apartamento de mesma área nas grandes capitais, sem falar do maior contato com a natureza, além do fato de muitos empreendimentos contarem com o mesmo sistema de segurança que se tem em um apartamento em condomínio. Mas a grande vantagem é poder ter mais  espaço para a família, para andar de bicicleta, encontrar e receber amigos, enfim, ter uma vida mais plena”, citou Garrido.

Além disso, de acordo com o Diretor da ARCHSCAPE, existem vantagens muito maiores para a compra de um lote em uma cidade menor, mas com fácil acesso às grandes cidades, em relação à aquisição (ou aluguel) de um apartamento. “Justamente pela questão de dispor de mais espaço, principalmente o espaço do jardim, para poder ter árvores, um pomar, piscina. E sendo em uma cidade menos populosa, percebo que as pessoas ficam menos paranoicas com a vantagem de segurança que um apartamento hipoteticamente teria”, explicou.

Imagem de casa com chave

E quais são as perspectivas para o segundo semestre de 2021?

Mauricio F. Carrer
 Mauricio F. Carrer é arquiteto formado pela USP, pós graduado em Administração pela FGV e possui MBA em finanças pela FIA. Atua há mais de 10 anos no mercado imobiliário com passagem por algumas das principais empresas do setor de incorporação e desenvolvimento urbano do país. É fundador e CEO da Construtech InstaCasa que atua no mercado de loteamentos. Também é fundador da fintech Glebba Investimentos e da Construtech Concessus.

Segundo levantamento da InstaCasa, em seu banco de dados, a empresa teve mais de 163 mil buscas por imóveis no interior no ano passado. “A plataforma intensificou a sua participação nessas regiões e, com isso, está auxiliando famílias a encontrarem melhores alternativas para sair dos centros urbanos. Essa é uma tendência que continua a se expandir, uma vez que as possibilidades de trabalho remoto estão se mostrando cada vez maiores e muita gente realmente quer investir na qualidade de vida que uma casa em uma cidade mais tranquila traz”, citou Carrer. 

Garrido também traz uma opinião positiva quanto às perspectivas para o segundo semestre desse ano. “A análise é no final das contas muito mais econômica do que arquitetônica. Por envolver grandes somas, a demanda por imóveis depende muito de crédito. E crédito a taxas baixas, pois torna a prestação acessível a uma maior parcela de famílias. Mas não só disso depende a manutenção do crescimento. Precisa haver dinheiro também para mobilizar a oferta e, nesse ponto, a presença de investidores, seja investindo direto na construção ou indiretamente por meio de títulos com lastro imobiliário. Isso tem sido um motor muito importante de desenvolvimento do setor. O que temos observado nos últimos 12 meses é uma forte migração de investimentos, saindo dos bancos para o setor imobiliário, em busca de retorno mais atrativo. E isso tem ocorrido principalmente pelo fato dos juros básicos estarem em patamares muito baixos”, disse.

E continua. “A resposta dessa pergunta depende tanto da manutenção desse cenário, da permanência de oferta de crédito barato e da melhoria da empregabilidade.  Sou otimista nesse sentido, pois vejo cada vez mais pessoas investindo no setor e vejo a flexibilização do trabalho remoto, o que dá mais opções para aquisição e nesse sentido a casa no interior torna-se extremamente atraente. Não sou economista, mas trabalhando nesse setor e tendo constante contato com os incorporadores, vejo que estão cautelosamente otimistas. Apesar de termos passado por uma forte alta de preços dos materiais básicos nesse mesmo período, havendo crédito, investimento e emprego, o mercado continua a se desenvolver”, encerrou.

Imagem de gráfico

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